Como escolher a potência e o tamanho do sabre ideais
A primeira lição é que tentar usar uma máquina pequena para um trabalho grande é garantia de frustração. A escolha da potência e do sabre deve estar diretamente alinhada ao diâmetro da madeira que você vai cortar.
Se o seu objetivo é limpar galhos no quintal ou cortar pequenas lenhas para lareira, máquinas com motores em torno de 30 a 38 cilindradas e sabres curtos (de 30 a 35 cm) dão conta do recado perfeitamente. Um ótimo exemplo é a Stihl MS 170, que cumpriu sua função com extrema agilidade em galhos finos. Por outro lado, quando tentamos forçar essa mesma motosserra em troncos mais grossos, o motor logo engasgou e perdeu força.
Para o meio termo, como derrubada de árvores médias e uso rural frequente, motores na faixa de 45 a 55 cilindradas com sabres de 40 a 45 cm (16 a 18 polegadas) são os mais versáteis. A Toyama TCS58F-G2 e a Stihl MS 250 brilharam nesse cenário, atravessando as madeiras sem reclamar. Já para uso florestal e toras de madeiras duras, cilindradas acima de 60 cc, como na Husqvarna 61 e na Vulcan Trent VS620, são fundamentais. A Vulcan, com seu longo sabre de 20 polegadas, fatiou as toras mais brutas sem apresentar queda de rotação, ignorando a pressão que fazíamos.
O conforto não é um luxo quando se trata de motosserras; é uma questão de segurança e produtividade. O peso operacional (a máquina montada com sabre, corrente e tanques cheios) e o nível de vibração determinam por quantas horas você consegue trabalhar.
Máquinas robustas e de baixo custo, como a Tekna CS58P18 e a Toyama TCS58F-G2, entregaram força bruta, mas cobraram um preço altíssimo na ergonomia. A vibração excessiva da Tekna nos causou formigamento nas mãos muito rápido, exigindo paradas constantes para descanso. O peso operacional das máquinas maiores também castiga as costas; a Vulcan Trent VS620 e a Husqvarna 61 ultrapassam os 7,5 kg quando prontas para uso.
A engenharia de amortecimento faz muita diferença. A Husqvarna 120 Mark II isolou a trepidação perfeitamente para serviços domésticos. Mas a campeã absoluta no equilíbrio entre força, peso e amortecimento foi a Stihl MS 250; os pouco mais de 4,6 kg de peso seco distribuídos no sistema de amortecimento superior garantiram que nós terminássemos o dia sem os braços fadigados, provando que o investimento a mais compensa na saúde do operador.
A realidade da partida a frio: corda pesada vs. sistemas facilitadores
Ligar uma motosserra logo pela manhã ou em dias frios pode ser uma das tarefas mais estressantes no campo. Na nossa análise, avaliamos o esforço físico exigido e as tecnologias que as marcas usam para aliviar os puxões.
Motores grandes costumam exigir técnica apurada e muita força no cordão, como relatam usuários da profissional Husqvarna 61 e da rústica Toyama TCS58F-G2. Para contornar isso, fabricantes adotam diferentes abordagens:
- Bomba primer (bulbo de combustível): A Husqvarna 120 Mark II é um bom exemplo desse recurso bem implementado. Ao injetar combustível no carburador antes da partida, o motor liga quase que instantaneamente a frio, poupando o operador.
- Mola assistida: Foi a nossa maior surpresa com a Vulcan Trent VS620. O sistema Easy Start permitiu que puxássemos a corda de um motor gigante de 62 cc de forma incrivelmente macia, exigindo muito menos esforço inicial.
- Controle unificado: Modelos da Stihl, como a MS 170 e a MS 250, não possuem botão primer nacional, exigindo várias puxadas a frio, mas a alavanca única facilita a rotina de desligar a máquina e religá-la a quente com um só movimento intuitivo.
Manutenção prática e ajustes do dia a dia
No campo, a motosserra precisa ser reabastecida, e a corrente, esticada repetidas vezes, pois a lâmina se expande com o calor do atrito. Os detalhes de design fazem toda a diferença na praticidade.
Para o tensionamento da corrente, o ajuste lateral é disparado a opção mais cômoda e segura. Na Stihl MS 250 e na Husqvarna 120 Mark II, dá para realizar o ajuste mantendo as mãos longe da borda cortante. Já a Stihl MS 170 possui o ajuste frontal, que exigiu colocar a nossa mão perigosamente perto da lâmina da corrente.
Também avaliamos o abastecimento de fluidos. As tampas de baioneta de engate rápido da Stihl MS 250 foram excepcionais, eliminando a necessidade de usar ferramentas para destravá-las. Em tarefas pesadas e longas, a lubrificação precisa de atenção fina; por isso, a bomba de óleo ajustável da Husqvarna 61 se provou inestimável, nos permitindo aumentar manualmente a vazão de óleo para impedir o superaquecimento quando cortávamos madeiras mais velhas e ressecadas.
Exigência legal: a Licença do IBAMA
Um ponto crucial e muitas vezes ignorado pelos compradores: a lei brasileira exige que o proprietário tenha a Licença de Porte e Uso (LPU) de Motosserra, expedida pelo IBAMA.
É um erro comum pensar que motosserras pequenas, como a Stihl MS 170 ou a Husqvarna 120 Mark II, estão isentas por serem voltadas ao uso doméstico ocasional. Independentemente do tamanho do motor ou do perfil de uso, todas as motosserras a combustão (gasolina) da seleção exigem esse registro no órgão federal. O procedimento é rápido, feito online e garante que você não tenha sua máquina apreendida em uma blitz ou fiscalização no caminho para o sítio.
Perguntas frequentes
Posso usar óleo de motor comum para lubrificar a corrente?
Não. Nas nossas pesquisas, encontramos manuais desatualizados (como o da Tekna) que chegavam a indicar óleo 15W40, o que é um grande erro. Óleos de motor não possuem aditivos de adesividade (o chamado “fio”). Sem isso, o giro alto da corrente espirra todo o óleo para fora da máquina, deixando o sabre seco, o que causa desgaste prematuro e superaquecimento. Use sempre um óleo próprio e específico para a corrente de motosserras.
O que significa um sabre de ponta dura?
Sabres de ponta dura, como o original da Husqvarna 61 ou a versão opcional da Toyama TCS58F-G2, não possuem a engrenagem (rolamento) na extremidade. Eles são inteiros de aço sólido e são indicados para cortes muito severos e rústicos, pois aguentam trabalhar em madeiras sujas de terra ou areia sem que a ponta trave. A desvantagem é que geram mais atrito e exigem mais potência do motor que um sabre de ponta rolante.
Por que minha motosserra engasga e perde rotação na hora do corte pesado?
Normalmente isso acontece porque a máquina está sendo forçada além do seu limite de torque. É exatamente o que relatam usuários que forçam motosserras de pequeno porte, como a Stihl MS 170, contra troncos mais grossos. O excesso de pressão na madeira faz com que motores de baixa cilindrada percam rotação até parar. Para afundar a lâmina sob pressão, você precisa do torque bruto presente em cilindradas maiores, como na Vulcan Trent VS620.
É normal a motosserra nova vazar óleo pela base quando guardada?
Sim. A bomba de óleo da corrente trabalha pulverizando lubrificante constantemente. Após desligar a motosserra, o excesso de óleo que estava circulando nos dutos e no sabre escorre pelo pinhão até o chão ou prateleira. Não é um defeito de vedação do tanque, mas sim o acúmulo natural do resíduo de trabalho da bomba escorrendo por gravidade. É sempre recomendado esvaziar o reservatório ou deixar a máquina sobre um papelão ao armazená-la.