A adesão infantil é o maior desafio na hora de introduzir um multivitamínico na rotina. De nada adianta a fórmula mais premium do mercado se a criança se recusar a ingerir. Por isso, a escolha do formato é o primeiro passo para o sucesso da suplementação.
As gomas mastigáveis (como o Dr. Good Kids e o Maxinutri Kids Gummy) são, de longe, as favoritas dos pequenos. Por mimetizarem a textura e o sabor de balas de gelatina convencionais, elas eliminam a rejeição e transformam o momento da vitamina em uma recompensa diária. Já os comprimidos mastigáveis (como Centrum Júnior e Lavitan Kids) são práticos, mas possuem uma textura levemente farinhenta no final da mastigação, o que pode exigir alguns dias de adaptação por parte da criança.
Por fim, os xaropes (como o Pharmaton Kiddi) são excelentes para crianças menores ou que têm dificuldade de mastigação, pois permitem que a dose seja diluída em sucos ou misturada na papinha. O contraponto é a logística: xaropes exigem uso de copo medidor, demandam mais tempo de preparo matinal e não são nada práticos para levar em viagens.
O peso dos aditivos: açúcar, adoçantes e corantes
Como a suplementação vitamínica costuma ser um projeto de longo prazo (meses ou até anos, durante a fase de crescimento), é crucial ler a “letra miúda” dos rótulos para entender o que a criança está ingerindo todos os dias além dos nutrientes.
O mercado se divide basicamente em duas filosofias. A primeira aposta nas fórmulas zero açúcar, como o Centrum Júnior e o Lavitan Kids. Para proteger os dentes contra as cáries e evitar picos glicêmicos, esses produtos utilizam adoçantes sintéticos ou naturais (como xilitol, sacarina e aspartame) e aromatizantes.
A segunda vertente prefere manter uma base de açúcar natural, mas tenta limpar o restante da fórmula. É o caso do Dr. Good Kids, que entrega cerca de 12 kcal por goma derivadas de açúcar demerara e xarope de glicose, mas compensa por ser 100% livre de corantes e aromatizantes artificiais. Já o Maxinutri Kids, apesar da base vegana interessante, peca por incluir diversos corantes sintéticos (como tartrazina e vermelho allura) para atingir as cores vibrantes. A escolha dependerá das restrições de cada família: evitar o açúcar a todo custo ou fugir de aditivos artificiais polêmicos.
Enquanto a imensa maioria dos multivitamínicos infantis cobre satisfatoriamente as vitaminas C, D e o complexo B, a presença e a variedade de minerais costumam separar os suplementos básicos das opções realmente premium.
Se a indicação do pediatra for um suporte imunológico e cognitivo mais brando, produtos com Iodo e Zinco (presentes no Dr. Good Kids) costumam ser suficientes. Contudo, se a criança apresenta seletividade alimentar severa ou histórico de anemia leve, é fundamental buscar rótulos como o do Centrum Júnior, que é um dos raros produtos de prateleira a entregar ferro e manganês em sua composição.
Há também os minerais estruturais. Em fases de estirão de crescimento ortopédico ou recuperação pós-doenças, fórmulas fortificadas com Cálcio e aminoácidos (como a lisina, destaque do Pharmaton Kiddi) tornam-se escolhas muito mais eficientes do que uma goma vitamínica tradicional.
Custo-benefício: calculando o valor real da suplementação
Um erro comum na hora de comprar vitaminas infantis é olhar apenas o preço impresso na embalagem. O verdadeiro impacto financeiro só aparece quando calculamos o custo por dose diária, que varia drasticamente dependendo da posologia exigida pelo fabricante.
Por exemplo, um frasco de Lavitan Kids (R$ 59,90) parece mais barato que um Centrum Júnior (R$ 79,90). No entanto, o Lavitan exige a ingestão de duas unidades por dia, enquanto o Centrum resolve a rotina com apenas uma, mudando a dinâmica de reposição da farmácia doméstica.
Gomas como a da Maxinutri oferecem o menor impacto absoluto no bolso (cerca de R$ 1,43 por dia), sendo excelentes para orçamentos apertados. No extremo oposto, xaropes robustos como o Pharmaton Kiddi, quando administrados na dose de 15 ml diários para crianças acima de 5 anos, fazem o frasco render menos de 15 dias, saltando o custo para mais de R$ 6,50 ao dia — um valor que se justifica para tratamentos pontuais de recuperação, mas pesa no uso contínuo.
O principal cuidado prático com suplementos infantis envolve o armazenamento seguro. Formatos atrativos, como as gomas do Dr. Good e da Maxinutri, são enxergados pelas crianças como doces convencionais. Por isso, nunca devem ficar ao alcance dos pequenos. Uma ingestão acidental excessiva (superdosagem) de vitaminas lipossolúveis (como A, D e E) e minerais como o ferro pode causar intoxicações severas.
Além disso, a conservação térmica é vital. Gomas vitamínicas são altamente sensíveis ao calor e podem derreter e grudar umas nas outras se o frasco for deixado no interior de um carro ou próximo ao fogão. Mantenha os produtos sempre em locais secos, frescos e ao abrigo do sol. Por fim, vale o lembrete de ouro da pediatria: nenhuma dessas vitaminas substitui refeições equilibradas. Elas são desenhadas para cobrir lacunas nutricionais, mas o consumo de frutas, legumes e proteínas reais continua sendo insubstituível.
Perguntas frequentes
A partir de qual idade a criança pode tomar multivitamínicos?
A maioria dos suplementos em gomas ou comprimidos mastigáveis (como Centrum, Dr. Good, Lavitan e Maxinutri) tem registro e indicação na Anvisa para crianças a partir de 4 anos devido ao risco de engasgo e necessidades metabólicas. Para bebês e crianças menores, os xaropes e gotas (como o Pharmaton Kiddi, liberado a partir de 1 ano) são os indicados. Consulte sempre o pediatra antes de iniciar qualquer suplementação.
Qual é o melhor horário para dar a vitamina para a criança?
O ideal é oferecer o multivitamínico junto ou logo após uma das principais refeições do dia (como café da manhã ou almoço). Isso acontece porque vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) precisam da gordura natural presente nos alimentos para serem devidamente absorvidas pelo intestino infantil.
As gomas e comprimidos vitamínicos causam cáries?
Depende da composição. Produtos classificados como “zero açúcar” (Centrum Júnior e Lavitan Kids) não promovem a formação de cáries. No entanto, gomas adoçadas com açúcar demerara ou xarope de glicose (como Dr. Good e Maxinutri) têm potencial cariogênico igual ao de qualquer outro alimento doce. Se optar por eles, certifique-se de que a criança escove os dentes adequadamente após o consumo.
Vitamina infantil engorda?
Não. As vitaminas e minerais por si só não possuem calorias e não engordam. Os veículos utilizados para entregar o nutriente (como a goma ou o xarope) possuem um leve valor calórico — o Dr. Good entrega apenas 12 kcal por goma e o Maxinutri cerca de 10 kcal —, valores praticamente insignificantes dentro das necessidades calóricas totais do dia de uma criança ativa.